Tá certo que o nosso mau
Jeito foi vital
Pra dispersar o nosso bom
O nosso som pausou.
E por tanta exposição
A disposição cansou.
Secou da fonte da paciência
E nossa excelência ficou lá fora.
Solução é a solidão de nós.
Deixe eu me livrar das minhas marcas
Deixe eu me lembrar de criar asas.
Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que nesse verão eu faço sol.
Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu melhor.
A conta da saudade
Quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada
Já que estamos fincados em dor.
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar.
Clique e ouça!
Amanheçam brilhando mais forte!
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
Dia da Poesia
Hoje é dia da poesia, sendo assim, não podia deixar de fazer minha homenagem aos poetas que admiro. Afinal, o poeta é a sua poesia! *--*
Parabéns seus lindos!
![]() |
| Fernando Anitelli *--* |
![]() |
| Galldino |
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| Humberto Gessinger |
![]() |
| Mário Quintana |
![]() |
| Carlos Drummond de Andrade |
![]() |
| Fernando Pessoa |
![]() |
| Clarice Lispector |
![]() |
| Cecília Meireles |
sábado, 5 de março de 2011
A Metamorfose, ou Os Insetos Interiores, ou O Processo
Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
Sem mais...
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
Sem mais...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Quintaneirando
Como prometido, aqui vai o primeiro post sobre poetas que eu gosto eu seus dilúvios imaginários. Sem mais delongas...
Mário Quintana
Todas as artes são manifestações diversas da poesia - inclusive, às vezes, a própria poesia.
Mas para que interpretarem um poema? Um poema já é uma interpretação.
Buscas a perfeição? Não sejas vulgar. A autenticidade é muito mais difícil.
A GRANDE CATÁSTROFE
No princípio era o Verbo. O verbo Ser. Conjugava-se apenas no infinito. Ser, e nada mais.
Intransitivo absoluto.
Isto foi no principio. Depois transigiu, e muito. Em vários modos,
tempos e pessoas. Ah, nem queiras saber o que são as pessoas: eu, tu, ele, nós,
vós, eles...
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
A saudade que dói mais fundo - e irremediavelmente - é a saudade que temos de nós.
Sonhar é acordar-se para dentro.
CONTRADIÇÕES?
mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma
criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.
E por isso é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, com toda
a sinceridade, as coisas mais opostas.
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
A felicidade bestializa: só o sofrimento humaniza as pessoas.
Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.
O passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente.
SIMULTANEIDADE
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
essa foto é muito indie!
Mário Quintana
Todas as artes são manifestações diversas da poesia - inclusive, às vezes, a própria poesia.
Mas para que interpretarem um poema? Um poema já é uma interpretação.
Buscas a perfeição? Não sejas vulgar. A autenticidade é muito mais difícil.
A GRANDE CATÁSTROFE
No princípio era o Verbo. O verbo Ser. Conjugava-se apenas no infinito. Ser, e nada mais.
Intransitivo absoluto.
Isto foi no principio. Depois transigiu, e muito. Em vários modos,
tempos e pessoas. Ah, nem queiras saber o que são as pessoas: eu, tu, ele, nós,
vós, eles...
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
A saudade que dói mais fundo - e irremediavelmente - é a saudade que temos de nós.
Sonhar é acordar-se para dentro.
CONTRADIÇÕES?
mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma
criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.
E por isso é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, com toda
a sinceridade, as coisas mais opostas.
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
A felicidade bestializa: só o sofrimento humaniza as pessoas.
Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer.
O passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente.
SIMULTANEIDADE
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
essa foto é muito indie!Amanheçam brilhando mais forte! ™
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